A agenda da produtividade do Banco Mundial: um golpe na soberania e na classe trabalhadora

Saiba quais são as medidas que o Banco Mundial sonha em ver implementadas no Brasil do golpe e dos golpistas

   O Banco Mundial publicou no dia 7 de março de 2018, um relatório intitulado Emprego e Crescimento: a Agenda da Produtividade. Em meio ao cenário eleitoral, o Banco Mundial está preocupado em apontar caminhos para o país sair da crise e aprofundar as reformas em curso. Para a instituição, o modelo adotado na última década estaria ultrapassado, a queda nos preços das commodities e, sobretudo, as mudanças demográficas, isto é, a força de trabalho estaria cada vez mais envelhecida, exigiriam uma mudança no modelo econômico. O Banco faz um diagnóstico parcialmente detalhado e apresenta um tema considerado central: a produtividade. Aqui, nossa intenção é contribuir no debate conjuntural, mostrando, por meio da atuação da instituição multilateral, por quais percursos a ala imperialista do golpe tem se movido.

    O golpe de 2016, como afirma Boito Junior, tinha como objetivo retomar as taxas de lucros do grande capital internacional e realinhar o país aos interesses imperialistas dos Estados Unidos da América por meio de uma agenda neoliberal. No campo golpista, o Banco Mundial entra no atual cenário como um braço do imperialismo, um ator que visa influenciar nas diretrizes para os próximos governos, afastá-los de perspectivas progressistas e nacionais e ao mesmo tempo aproximá-los dos interesses do capital financeiro internacional. O relatório em questão é a materialização destas intencionalidades. Caracterizam uma agenda da barbárie e uma agenda da dependência. Vamos aos elementos que o compõe.

    A justificativa de Emprego e Crescimento está em como manter os programas sociais do passado, retomando as taxas de crescimento, combinando um novo[sic] modelo de desenvolvimento: para o Banco Mundial, a produtividade tem que estar no centro do debate. Mas o que seria essa produtividade? Ela entendida como a maneira mais eficiente de um país alocar sua força de trabalho e demais recursos para gerar mais crescimento e emprego. De um lado, a queda de 1% na produtividade nos últimos 20 anos, demonstraria uma preocupação, do outro, a potencialidade do Brasil estaria em crescer 4,5% ao ano caso atingisse os patamares de produtividade dos anos 60 e 70.

    Segundo o relatório, as razões da baixa produtividade estariam: a) em um sistema econômico que reduz a concorrência e inovação e concomitantemente induz a má-alocação de recursos; b) o Brasil seria um dos países com maiores barreiras comerciais do mundo, com muito pouca integração interna e externa; c) e os subsídios de 4,5% do PIB desencorajam o investimento em produtividade. Estes elementos são barreiras à concorrência, impedindo o alavancar do crescimento, dos investimentos, da produtividade e da criação de empregos.

    O Banco também propõe uma agenda de reformas para alcançar maiores taxas de produtividade (figura 1): a) abrir o mercado para trocas externas e reformar as regulamentações empresariais para aumentar a concorrência; b) uma reforma tributária e trabalhista; c) acabar com subsídios ineficazes e destiná-los a inovação e apoio aos trabalhadores(as); d) políticas e instituições mais eficazes: i) com transparência, definir os objetivos para atingir maiores patamares de produtividade; ii) avaliar os resultados; iii) melhorar a coordenação do governo junto às empresas.

Figura 1 – As propostas do Banco Mundial para elevar a produtividade do Brasil

Fonte: Banco Mundial,2018

    A receita “mágica” teria resultados substanciais, como: a) a redução das barreiras comerciais poderia tirar 6 milhões de pessoas da pobreza e gerar mais de 400 mil empregos; b) a integração doméstica poderia tirar quase 3 milhões de pessoas a mais da pobreza; c) o aumento da concorrência, poderia aumentar a produtividade do trabalho em mais de 3% e gerar 1,4 milhões de empregos ao ano.

    Devemos nos atentar as movimentações dos agentes multilaterais, tais como expressas no relatório em foco, assim como suas articulações com o governo golpista. Com isso, a ala imperialista do golpe pretende avançar no aprofundamento da agenda neoliberal no país, aumentar a dependência externa e ampliar a taxa de exploração da classe trabalhadora. Por outro lado, isto reafirma a necessidade das forças progressistas retomarem um debate sobre um projeto popular para o Brasil, pautando desenvolvimento e soberania nacional. Se faz necessário uma ampla unidade das forças de esquerda, que retome as mobilizações de massa, somadas a um projeto de desenvolvimento que irá desvencilhar o país das garras do golpismo e do imperialismo. 

REFERÊNCIAS

BANCO MUNDIAL. Emprego e crescimento: a agenda da produtividade. Washington, D.C.: World Bank Group. 2018. Disponível em:. <http://documents.worldbank.org/curated/en/203811520404312395/Emprego-e-crescimento-a-agenda-da-produtividad>. Acesso em: 26 de março de 2018

_____. Emprego e Crescimento: a Agenda da Produtividade / Competências e Empregos: uma Agenda para a Juventude. Acesso em: < <http://www.worldbank.org/pt/country/brazil/publication/brazil-productivity-skills-jobs-reports>. Acesso em: 26 de março de 2018.

BOITO Jr., Armando. A burguesia brasileira no golpe do impeachment. Brasil de Fato, 06 de jan. 2017. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2017/01/06/aburguesia-brasileira-no-golpe-do-impeachment/>. Acesso em: 07 de jan de 2017.

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Rodolfo de Souza Lima

Sobre Rodolfo de Souza Lima

Doutorando em Geografia na FCT/UNESP Pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA) Militante do Levante Popular da Juventude e da Consulta Popular
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