ELITES: O PLURAL DE UMA COISA SÓ

Durante entrevista à revista Valor, o Ministro da Educação do governo Bolsonaro, Ricardo Veléz Rodríguez, afirmou: “As universidades devem ficar reservadas para uma elite intelectual, que não é a mesma elite econômica [do país]”. Que o governo pretende restringir o acesso à educação superior, é fato, já que desde a presidência de Temer, a Reforma do Ensino Médio demonstra uma tendência à mecanização do pensamento (comprovadas por pautas  que retiram da grade curricular obrigatória disciplinas críticas como filosofia e sociologia) somado ao incentivo aos cursos técnicos (associados ao Ensino Médio), a fim de formar massa de manobra. Mas nos atentaremos à seguinte ideia presente nos dizeres do ministro: A elite intelectual é diferente da elite econômica.

O conceito de Capital Cultural, defendido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, demonstra a maneira pela qual o Capital Econômico influi nos processos educacionais. Segundo Bourdieu, os alunos pertencentes às classes sociais mais favorecidas trazem “de berço” uma herança que ele chamou de Capital Cultural, contrariando a ideia de educação democrática, que as escolas nos fazem transparecer.

A presença de maior Capital Cultural em estudantes de classe sociais elevadas se deve a costumes normalmente atribuídos aos mais ricos, como visitar museus, países e culturas diversas, ouvir músicas eruditas. A cultura, por sua vez, metaforizada no conceito de Capital Cultural, se torna, portanto, uma espécie de moeda de troca que as classes “dominantes” utilizam para acentuar diferenças, e mais que isso, utilizam o acúmulo deste Capital para impor sua cultura aos grupos desfavorecidos. Exemplificando, numa aula de História sobre o Renascimento, o aluno que esteve no Museu do Louvre e viu a Mona Lisa de Da Vinci terá um repertório mais elaborado, neste assunto, que outro que não teve a mesma oportunidade.

Que fique claro que este olhar é generalista, existem, obviamente as exceções. Mas  tanto as exceções, quanto quaisquer outros das classes, ditas baixas, estão neste “novo” governo, em maus lençóis. O Novo Fies proposto pelo MEC teve baixíssimo número de adesão, inclusive, espantando estudantes de baixa renda, isso porque, agora, o Fies funciona com financiamento privado. Dentre as mudanças que prejudicam os mais necessitados está o inicio do pagamento imediatamente após a faculdade para quem arranjar emprego (antes a carência era de 18 meses). A fala do deputado Chico Alencar (PSOL) resume bem o momento do programa de financiamento: “O Fies perdeu o status de política educacional para se transformar em política fiscal.”

As classes A, B e parte da C, já saem na frente quando a questão é Capital Cultural, e faturam a corrida, quando tratamos de acesso à graduação. As demais classes sociais, que dificultosamente dão seus passos, encontram pelo caminho obstáculos impostos pelo governo, este, que por sua vez, deveria dar-lhes ajuda e suporte.

Se, para o Ministro Rodriguez, somente a elite intelectual deveria estar na universidade, e suas ações demonstram o intuito do governo de afastar os menos favorecidos das faculdades, é evidente que a diferença que existe entre elite intelectual e elite econômica é utópica. Somente as classes dominantes e os intelectuais, se depender do governo Bolsonaro, estarão no ensino superior, e por consequência, eles serão a mesma coisa.

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Marco Vinicius Trindade Ropelli

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